LUMM – Luminescent Mushrooms Database (https://lumm.uneb.br)

Projeto LUMM ganha destaque no maior simpósio de bioluminescência do mundo na Tailândia

O Grupo de Pesquisa em Bioinformática e Biologia Computacional (G2BC) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) marcou presença internacional de destaque entre os dias 25 e 29 de maio de 2026. O Prof. Dr. Alexandre Rafael Lenz representou a universidade apresentando a plataforma Luminescent Mushrooms Database (LUMM) (https://lumm.uneb.br) durante o XXIII International Symposium on Bioluminescence and Chemiluminescence (ISBC) e o XXI International Symposium on Luminescence Spectrometry (ISLS), realizados em Rayong, na Tailândia. Estes simpósios constituem os eventos de maior prestígio mundial nas áreas de bioluminescência e quimioluminescência.

Mycena chlorophos (c) Frédéric Desmoulins

1 – Mycena manipularis (c) Gim Siew Tan; 2 – Mycena perlae (c) Alan Rockefeller; 3 – Mycena chlorophos (c) Frédéric Desmoulins; 4 – Mycena globulispora (c) Alan Rockefeller.

Plataforma desenvolvida por alunos da UNEB

A apresentação oral ocorreu no dia 26 de maio e expôs o estágio atual e o sucesso tecnológico do LUMM. A plataforma foi desenvolvida integralmente na UNEB pelos alunos Ernesto S. M. Neto Júnior e João Arthur Valente Lima da graduação do curso de Sistemas de Informação vinculados ao G2BC. A plataforma surgiu a partir da colaboração científica do G2BC com o Laboratório de Bioluminescência de Fungos (LBF) da Universidade de São Paulo (USP) e o Fungal Synthetic Biology Group (FunSynBio) da Universidade Estadual Paulista (UNESP) Araraquara, liderados pelos pesquisadores Dr. Cassius Vinicius Stevani e Dr. Douglas M. Mendel Soares, respectivamente.

Atualmente, o sistema integra dados de 132 espécies de cogumelos bioluminescentes, abrangendo atributos taxonômicos, morfológicos, de conservação, ecológicos e moleculares, e garantindo interoperabilidade com bases globais como o MycoBank, NCBI, IUCN Red List, iNaturalist, Mushroom Observer, Species Link e BOLD Systems. O projeto também se destaca pelo seu modelo de governança participativa, que permite a contribuição de cientistas cidadãos sob a supervisão e validação de especialistas. O sucesso do trabalho garantiu a publicação do seu resumo na página 35 dos anais oficiais do congresso.

Impacto Científico e rumos para a Versão 2.0

A participação no evento conferiu grande visibilidade internacional à UNEB, consolidando a instituição como referência no uso de bioinformática aplicada à micologia. Durante os dias de imersão, houve intensa troca científica com pesquisadores de países como Rússia, França, Alemanha, Japão e Bélgica. A partir dessas interações, foram sistematizadas novas demandas que guiarão o desenvolvimento da Versão 2.0 da plataforma LUMM.

Para acessar o banco de dados e conhecer o mundo dos cogumelos bioluminescentes, acesse: lumm.uneb.br.

UNEB Inaugura Laboratório Avançado em Bioinformática para Pesquisas em Virologia e Biodiversidade Fúngica

A Universidade do Estado da Bahia (UNEB) inaugurou hoje o novo laboratório do Grupo de Pesquisa em Bioinformática e Biologia Computacional da UNEB (G2BC), uma instalação equipada com computadores e servidores de alta performance, destinada a estudos avançados em bioinformática viral e biodiversidade fúngica. Estruturado com recursos dos Editais PROFORT e PROINOVAÇÃO da UNEB, o laboratório amplia a capacidade da universidade para realizar pesquisas inovadoras nas áreas de saúde pública e biodiversidade, consolidando seu papel no cenário científico brasileiro.

Pesquisas Avançadas em Virologia e Monitoramento de Arboviroses

O G2BC concentra pesquisadores renomados na área de virologia. O Dr. Vagner Fonseca, por exemplo, colaborador ativo em grupos de pesquisa internacionais, desempenha papel fundamental no monitoramento de arboviroses, como as transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, no Brasil e na América Latina, oferecendo suporte analítico e estratégico para o controle dessas doenças. A Dra. Inês Restovic também conduz estudos sobre arboviroses que têm grande impacto na saúde pública. Já o Dr. Diego Frias investiga a evolução viral, com o objetivo de aprimorar técnicas de diagnóstico e controle epidemiológico.

Valorização da Biodiversidade Fúngica Brasileira

O laboratório também apoia projetos de preservação e valorização da biodiversidade fúngica, como o Micotrilhas da Bahia, liderado pelo Dr. Alexandre Rafael Lenz. Esse projeto oferece trilhas ecológicas nos parques da Chapada Diamantina e da Serra do Conduru, proporcionando aos visitantes uma experiência de observação de cogumelos em seus habitats naturais. As Micotrilhas promovem conscientização sobre a importância ecológica dos fungos e incentivam o turismo sustentável, com benefícios para as comunidades locais.

Outro projeto importante é o Brazilian Edible Mushrooms (BEM), que reúne cientistas de várias instituições para catalogar e classificar cogumelos comestíveis silvestres do Brasil, visando explorar novas fontes alimentares sustentáveis. Este projeto contribui para a segurança alimentar e para a valorização do patrimônio biológico brasileiro.

Uma Infraestrutura de Ponta para Análises Científicas

Equipado com tecnologia de última geração, o laboratório do G2BC possibilita a análise de grandes volumes de dados biológicos e genômicos, viabilizando novas colaborações e acelerando descobertas científicas. “Este espaço é essencial para fortalecer nossas pesquisas em biodiversidade e saúde, reunindo ciência e sustentabilidade”, afirma o Dr. Alexandre Rafael Lenz.

Com esta inauguração, a UNEB reforça seu compromisso com a inovação científica e tecnológica, apoiando seus pesquisadores no enfrentamento de desafios globais e na promoção do desenvolvimento sustentável.

Grupo de pesquisadores investiga cogumelos comestíveis da Mata Atlântica

O consumo de cogumelos pode ir muito além de shiitake, shimeji e champignon. Um grupo de pesquisadores está investigando cogumelos comestíveis silvestres da Mata Atlântica que tenham potencial de mercado. Entre a prospecção na mata e o trabalho em laboratório, um grupo de biólogos do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), desde 2018, já descobriu cinco novas espécies, sendo duas delas comestíveis.

As buscas estão sendo feitas nos estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Bahia e contam com a colaboração de pesquisadores do IFSP e da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Depois de coletados e identificados, os cogumelos passam por análises químicas em laboratório para a determinação dos valores nutricionais e testes de cultivo e análises sensoriais para consumo. Em colaboração com o Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center – FoRC) os dados de composição química serão inseridos na Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA), o que permitirá divulgar essas informações de forma padronizada e ampliar o número de informações de alimentos da biodiversidade brasileira da tabela.

“Existe uma infinidade de espécies de cogumelos que ainda não conhecemos. Dentre as 22 mil espécies conhecidas em todo o mundo, cerca de 2 mil são comestíveis. Porém apenas 100 são cultivadas. No Brasil, temos uma variedade grande: chegamos a um número de 400 espécies de cogumelos comestíveis já registradas para o país. No nosso estudo fizemos uma peneira, pois muitos registros são antigos ou duvidosos, e concluímos que existem mais de 80 espécies de cogumelos comestíveis com registro confiável para o país, sendo 72 só na Mata Atlântica e 51 delas com registro de consumo, sobretudo por comunidades indígenas. São espécies bastante promissoras para o estudo de cultivo e para futura inserção no mercado nacional”, conta Nelson Menolli Jr., biólogo e professor do Instituto Federal de São Paulo. O trabalho coordenado por Menolli recebe o apoio da FAPESP (https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/104977/cogumelos-da-mata-atlantica-diversidade-e-potencialidades-de….

No total, os pesquisadores do IFSP já cultivaram em laboratório nove espécies de cogumelos comestíveis silvestres encontrados na Mata Atlântica. É o caso das espécies Auricularia cornea, Auricularia fuscosuccinea, Favolus brasiliensis, Irpex rosettiformis, Lentinus berteroi, Oudemansiella cubensis, Oudemansiella platensis, Pleurotus albidus e Pleurotus djamor.

“No laboratório, testamos questões relacionadas ao cultivo como temperatura ideal, substrato mais indicado para a espécie se desenvolver e também receitas. Não por acaso, as espécies que estamos estudando se adaptam muito melhor no nosso clima e temperatura do que o shiitake e o shimeji, por exemplo, espécies que são originárias do Hemisfério Norte e amplamente comercializadas no Brasil”, explica.

“Apesar de termos uma grande variedade de espécies de cogumelos, não somos um país com o hábito de comer esse alimento. A gente vai ao supermercado e encontra três ou quatro espécies de cogumelo apenas, mas existe uma grande variedade e com grande potencial de consumo”, afirma.

Os pesquisadores estimam que 1% dos cogumelos no mundo sejam tóxicos, podendo até matar uma pessoa que o consumiu. Por isso, vale o alerta de nunca comer um cogumelo silvestre, a não ser que um especialista indique o consumo. “Alguns cogumelos são tóxicos. No entanto, não é viável fazer testes de toxicidade, pois não conhecemos todas os compostos tóxicos presentes nos cogumelos, além de não existir uma característica única que indique se uma espécie é tóxica ou não. O nosso conhecimento tem base no conhecimento tradicional que foi sendo repassado. Por isso, é importante estar acompanhado de alguém que tenha prática de reconhecimento para saber se uma espécie pode ser consumida”, alerta Menolli Jr.

Na Bahia, pesquisadores da UNEB também estão investigando a ocorrência de cogumelos no Parque Nacional da Chapada Diamantina e no Parque Estadual da Serra do Conduru. É o projeto Micotrilhas, patrocinado pela Fundação O Boticário, que realiza expedições científicas para coletar cogumelos. Numa outra fase do projeto, ocorreram trilhas guiadas para proporcionar aos turistas a observação e reconhecimento da biodiversidade, além da importância dos fungos para a sustentabilidade dos ecossistemas.

O projeto Micotrilhas é coordenado por Alexandre Lenz, professor da UNEB. O pesquisador conta que um exemplo de cogumelos silvestres comestíveis que vêm ganhando o mercado e, sobretudo, o coração de chefs de cozinha da região Sudeste do país, são os cogumelos do sistema agrícola Yanomami. O povo Sanöma, que habita a região de Awaris, na Terra Indígena Yanomami do extremo noroeste de Roraima, coleta mais de 10 espécies de cogumelos, resultado de um profundo conhecimento da ecologia e do manejo do seu ambiente.

“Na Mata Atlântica também existe uma infinidade de espécies a serem descobertas, ou redescobertas. Muitas com grande potencial de produção. Esses projetos são pontos importantes tanto de resgate de uma cultura alimentar, quanto para proporcionar uma maior diversidade da nossa alimentação”, diz Lenz, que é bioinformata e estuda a genômica e regulação gênica de fungos. Sua participação no projeto está voltada para a taxonomia, filogenia e análise evolucionária dos fungos.

No projeto realizado na UNEB, os cogumelos também têm a composição química determinada. “É um trabalho multidisciplinar que envolve pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento. Além da prospecção na mata, da taxonomia e análise genética, também investigamos as propriedades químicas e nutricionais desses cogumelos silvestres. Com isso, é possível identificar propriedades importantes como compostos antioxidantes ou a riqueza em determinados minerais, como ferro e cálcio, por exemplo. Todos esses dados também serão incluídos TBCA, o que é muito importante, pois amplia nosso conhecimento sobre a diversidade alimentar brasileira, abrindo possibilidade para produção e comercialização desses cogumelos”, diz Aníbal de Freitas Santos Junior, professor da UNEB.

Micotrilhas Turísticas no Parque Estadual da Serra do Conduru e Parque Nacional da Chapada Diamantina

Aproximadamente 148.000 espécies de micro e macrofungos foram descritas pela ciência, mas a diversidade global está longe de ser totalmente conhecida. Estima-se a existência de cerca de 22.000 espécies de cogumelos (macrofungos). Eles são seres fundamentais dos ecossistemas e têm recebido menos atenção do que a Flora e a Fauna, embora onipresentes e de natureza altamente diversificada, formando seu próprio conjunto de organismos, a Funga.

Pesquisas recentes mostram que a diversidade de fungos pode ser a chave para a sobrevivência de ecossistemas em um planeta em aquecimento.

O Parque Nacional da Chapada Diamantina e o Parque Estadual da Serra do Conduru carecem de pesquisas sobre fungos e ações de conservação mais específicas, principalmente quando se trata de conservação da biodiversidade.

Para transformar o contexto atual é possível estabelecer parcerias com pesquisadores e instituições de referência para concepção e implantação das Micotrilhas.

Espera-se que os roteiros micológicos guiados permitam que os turistas conheçam a biodiversidade de macrofungos dos parques e entendam a importância da Funga para a sustentabilidade dos ecossistemas trazendo benefícios à população, com oportunidade de geração de renda, promovendo lazer e saúde.

Bioinformática e as Proteínas: Entenda a Sopa de Letrinhas

Aminoácidos são as unidades básicas que compõem as proteínas, uma classe importante de biomoléculas que desempenham diversas funções no organismo, como a regulação de processos metabólicos, o transporte de moléculas e a resposta imunológica. Existem 20 aminoácidos principais, sendo denominados aminoácidos proteinogênicos ou padrão, que são usados na síntese de proteínas.

Estrutura: Cada aminoácido é composto por um grupo amina (-NH2), um grupo carboxilo (-COOH) e uma cadeia lateral (também chamada de grupo R), que varia de aminoácido para aminoácido. A ligação entre os grupos amina e carboxilo forma uma ligação peptídica, que é a base da estrutura das proteínas.

Classificação: Os aminoácidos são classificados em diferentes categorias com base em suas propriedades químicas. Alguns aminoácidos são hidrofóbicos, o que significa que suas cadeias laterais não interagem bem com a água, enquanto outros são hidrofílicos, o que significa que suas cadeias laterais interagem bem com a água. Enquanto outros aminoácidos têm cargas elétricas positivas ou negativas em suas cadeias laterais, tornando-os ácidos ou básicos, respectivamente.

Etapa de Tradução no Dogma da Biologia  Molecular: A tradução é a etapa do dogma da biologia molecular em que a informação genética contida no RNA mensageiro (mRNA) é usada para sintetizar proteínas. O processo de tradução ocorre no citoplasma da célula e envolve a participação de vários componentes celulares, incluindo ribossomos, RNA transportador (tRNA) e aminoácidos.
O processo de tradução começa quando o mRNA se liga a um ribossomo. O ribossomo então lê o mRNA em grupos de três bases, chamados códons (A | C | U | G). Cada códon especifica um aminoácido específico que será incorporado à cadeia polipeptídica em crescimento. Para cada códon no mRNA, há um tRNA correspondente que carrega um aminoácido específico. O tRNA se liga ao códon no mRNA por meio de emparelhamento de bases complementares entre o códon e um anticódon presente no tRNA.
Conforme o ribossomo lê o mRNA, ele adiciona o aminoácido transportado pelo tRNA ao final da cadeia polipeptídica em crescimento. O ribossomo então se move ao longo do mRNA, lendo os códons e adicionando aminoácidos correspondentes até chegar a um códon de parada que indica o fim da cadeia polipeptídica. Neste ponto, a cadeia polipeptídica é liberada do ribossomo e começa a dobrar-se para formar uma proteína funcional.

Aminoacidos
A tabela de códons de RNA padrão organizada em uma roda. Fonte: Wikipedia

Representação na Bioinformática: Na bioinformática, os aminoácidos são geralmente representados por códigos de uma letra, que facilitam a comunicação e a análise de sequências de proteínas. Por exemplo, a alanina é representada pela letra “A”, enquanto a lisina é representada pela letra “K”. A sequência de aminoácidos em uma proteína é escrita como uma sequência de códigos de uma letra, que pode ser analisada para determinar as propriedades da proteína e sua função biológica. Além disso, a análise de sequências de aminoácidos pode ajudar a identificar relações evolutivas entre diferentes proteínas.

Simbologia e Nomenclatura:

Nome

Símbolo

Abreviação

Glicina ou Glicocola

Gly, Gli

G

Alanina

Ala

A

Leucina

Leu

L

Valina

Val

V

Isoleucina

Ile

I

Prolina

Pro

P

Fenilalanina

Phe ou Fen

F

Serina

Ser

S

Treonina

Thr, Tre

T

Cisteina

Cys, Cis

C

Tirosina

Tyr, Tir

Y

Asparagina

Asn

N

Glutamina

Gln

Q

Aspartato ou Ácido aspártico

Asp

D

Glutamato ou Ácido glutâmico

Glu

E

Arginina

Arg

R

Lisina

Lys, Lis

K

Histidina

His

H

Triptofano

Trp, Tri

W

Metionina

Met

M

 

Francis Crick e o DNA

Francis Crick foi um renomado cientista britânico nascido em 1916 e falecido em 2004. Francis Crick está associado a duas das mais importantes descobertas do século XX: a dupla hélice do DNA e o código genético. A primeira ele descobriu com James Watson; o segundo ele trabalhou principalmente sozinho, embora com contribuições de muitos outros cientistas.

Crick iniciou sua carreira estudando física, mas durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou como pesquisador em um laboratório de armas britânico. Após a guerra, ele mudou seu foco para a biologia molecular. Em 1951, Crick começou a trabalhar no Laboratório Cavendish, na Universidade de Cambridge, onde conheceu James Watson.

Junto com Watson, Crick descobriu a dupla hélice do DNA a partir de uma série de experimentos e modelagens. Em 1953, eles propuseram o modelo da dupla hélice do DNA, com base em dados fornecidos por Rosalind Franklin e Maurice Wilkins. Essa descoberta revolucionou a compreensão da genética e estabeleceu as bases para a biologia molecular moderna.

Francis Crick, acima à direita, com James Watson em 1953 com um modelo de sua molécula de DNA. Fonte: New York Times, 2006.

“Embora seja necessário lidar com os detalhes algébricos, logo descobri que poderia ver a resposta para muitos problemas matemáticos por meio de uma combinação de imagens e lógica, sem antes ter que passar pela matemática”, disse ele.

Outra característica especial de sua abordagem da ciência foi o difícil equilíbrio que sempre manteve entre teoria e empirismo. Ele tentou todas as abordagens teóricas possíveis para o problema de como as 60 possibilidades permitidas por um código genético a partir de trincas  formadas pelas quatro possíveis bases que poderiam produzir 20 tipos de aminoácidos, mas nunca confiou nas respostas, por mais elegantes que fossem. Essa cautela essencial o deixou aberto à abordagem empírica pela qual o código foi finalmente quebrado.

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A estrutura da dupla hélice do DNA. Os átomos na estrutura são coloridos por elemento e as estruturas detalhadas de dois pares de bases são mostradas no canto inferior direito. Fonte: Wikipedia

Além disso, Crick também fez importantes contribuições para a compreensão do código genético e como ele é traduzido em proteínas. Ele formulou o conceito de “dogma central da biologia molecular”, que descreve o fluxo de informação genética do DNA para o RNA e, em seguida, para as proteínas.

A habilidade especial de Crick de combinar suas intuições com julgamentos teóricos e empíricos estava no auge em seu artigo surpreendentemente de 1958 sobre síntese de proteínas. Nele, ele expôs os vários axiomas fundamentais do campo, incluindo que todas as proteínas são compostas de combinações dos mesmos 20 aminoácidos e que a ordem linear dos aminoácidos determina a estrutura tridimensional na qual a proteína é moldada. “Todas essas proposições foram suposições”, escreve o Sr. Ridley, “e todas estão corretas”.

Ao longo de sua carreira, Crick recebeu inúmeros prêmios e honrarias por suas contribuições para a ciência, incluindo o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1962, junto com Watson e Maurice Wilkins, pela descoberta da estrutura do DNA. Sua pesquisa revolucionou a biologia e a compreensão da vida em nível molecular.